Garrafa do Vinho de Açaí TUQANO, tinto seco natural da Amazônia

Por que o vinho natural e o biodinâmico estão em alta

O mundo bebe menos vinho, mas o vinho natural e o biodinâmico crescem. Seis motivos, com dados, para a tendência que mudou as cartas de vinho.

O vinho natural e o biodinâmico estão em alta porque as pessoas bebem menos, mas querem beber melhor, com rótulo transparente, origem clara e menos aditivos. Os jovens consumidores valorizam sustentabilidade e histórias reais. Em 2024, o consumo mundial de vinho caiu ao menor nível desde 1961, enquanto o valor por garrafa segue subindo.

O mundo nunca bebeu tão pouco vinho desde 1961.

Em 2024, segundo a OIV, a Organização Internacional da Vinha e do Vinho, o consumo global ficou em cerca de 214 milhões de hectolitros, 3,3% a menos que no ano anterior. No Brasil, depois de um 2023 de alta, a queda em 2024 foi de 10,1%. OIV, 2025

E mesmo assim, no meio dessa ressaca coletiva, o vinho natural e o biodinâmico ganharam bares próprios, feiras, cartas inteiras nos restaurantes e uma legião de fãs. Como pode? Aqui vão seis motivos, com dados, para uma tendência que já deixou de ser moda.

1. Beber menos, beber melhor

A primeira resposta está na própria queda. Quem bebe menos quer que cada taça valha a pena.

Um estudo da Universidade de Turim, apresentado em 2025 no congresso mundial da OIV, analisou respostas de 32.800 consumidores em sete mercados de vinho entre 2019 e 2024. Os autores, Mingze Rui, Simone Blanc, Filippo Brun e Stefano Massaglia, apontam que o volume de vinho consumido no mundo vem caindo desde 2017, mas o valor de mercado segue subindo. O nome disso é premiumização: menos garrafas, garrafas melhores. Rui et al., OIV, 2025

O vinho natural se encaixa perfeitamente aí. É feito em pequena escala, por pessoas com nome e rosto, e cada garrafa é diferente da outra. Ninguém abre um vinho natural para beber no automático.

2. A era do rótulo transparente

Durante séculos, o vinho foi um dos poucos alimentos que não precisavam contar o que tinham dentro. Isso mudou.

Desde 8 de dezembro de 2023, todo vinho produzido para a União Europeia precisa informar ingredientes e valor nutricional, direto no rótulo ou por um QR code. Os alérgenos, como os sulfitos, têm de aparecer impressos na garrafa. Regulamento (UE) 2021/2117

Quando o consumidor começou a ler a lista, descobriu que um vinho pode levar ácidos, açúcares, clarificantes, estabilizantes e conservantes. E passou a prestar atenção em quem não leva quase nada. No vinho natural, a lista costuma ser curta: fruta e, às vezes, um pouco de sulfito.

No Brasil, o caminho é parecido. O sulfito acrescentado aparece no rótulo como conservador INS 220, e cada vez mais gente procura por ele antes de comprar. Contamos tudo no artigo sulfito no vinho.

3. Sabor com sotaque

O vinho industrial busca previsibilidade: a garrafa de março precisa ter o mesmo gosto da de outubro. Funciona, mas cansa.

O vinho natural faz o caminho contrário. Leveduras selvagens, pouca correção e nenhum aditivo de aroma deixam aparecer o lugar, o ano e a mão de quem fez. Às vezes o vinho é turvo, às vezes surpreende, às vezes erra. É justamente essa personalidade que atrai.

A francesa Isabelle Legeron, primeira mulher da França a conquistar o título de Master of Wine, uma das certificações mais difíceis do mundo do vinho, dedicou um livro inteiro ao tema em 2014, chamado simplesmente Natural Wine. Desde então, o assunto saiu das adegas alternativas e entrou nas escolas de sommeliers.

4. A terra no centro da conversa

Sustentabilidade deixou de ser palavra de relatório e virou critério de compra.

O mesmo estudo de Turim mostra que os consumidores mudaram o foco: antes olhavam só para o meio ambiente, agora querem valores mais amplos, como trabalho justo e origem clara. E a ciência dá argumentos a eles. Uma revisão de 84 estudos publicada em 2019 no American Journal of Enology and Viticulture mostrou que, em 17 de 24 pesquisas, a biodiversidade aumentou claramente nos vinhedos orgânicos e biodinâmicos. Döring et al., AJEV, 2019

Mais insetos, mais vida no solo, nenhum agrotóxico sintético. Para quem pensa no planeta, é um argumento difícil de ignorar. A diferença entre os modelos está explicada em vinho orgânico ou biodinâmico.

5. Uma nova geração na mesa

Os millennials continuam sendo o coração do mercado de vinho, e a geração Z chegou com outras perguntas: de onde vem, quem fez, quanto álcool tem, o que tem dentro.

Essa geração cresceu com o celular na mão e desconfia de propaganda. Prefere um produtor que conta a verdade, inclusive quando a verdade é imperfeita. O vinho natural, com seus rótulos desenhados à mão e suas histórias de família, fala essa língua.

No Brasil, a cena aparece nas ruas. Em São Paulo, os chamados botecos de vinho se multiplicaram nos últimos anos, muitos com foco em vinhos de mínima intervenção, servidos sem cerimônia, em copo simples, com petisco de bar. Terra, Bares de vinho em São Paulo O vinho desceu do pedestal e sentou no balcão.

6. A história por trás da garrafa

O último motivo é o mais antigo de todos: as pessoas gostam de saber quem fez o que estão bebendo.

Um vinho natural raramente vem de uma fábrica sem rosto. Vem de alguém que acorda cedo, sabe o nome de cada parcela e escolheu o caminho mais difícil. Essa história vai junto para a mesa. E, numa época em que tudo parece igual, uma boa história vale ouro.

Bom saber: em alta não quer dizer perfeito. Sem sulfitos e sem filtração, o vinho natural pode ter defeitos, como a acidez volátil (cheiro de vinagre) ou a refermentação na garrafa. A discussão completa está em o que são vinhos naturais.

Nem moda, nem milagre

Tendência que dura dez anos já não é moda. O vinho natural e o biodinâmico se firmaram porque respondem a perguntas reais: o que tem no copo, de onde veio, quem fez e a que custo para a terra.

Nem todo vinho natural é bom, e nem todo vinho convencional é ruim. A diferença é que, agora, o consumidor sabe perguntar.

O lugar da TUQANO nessa história

Na TUQANO, a gente se reconhece em quase todos os seis motivos.

Fazemos vinho de fruta em pequena escala, em Alter do Chão, às margens do Tapajós. Os nossos vinhos fermentam com leveduras selvagens de um vinhedo renomado de Meissen, multiplicadas de forma artesanal há 90 anos, em ânforas de terracota em forma de ovo. Sem sulfitos adicionados e sem nenhum conservante. Por causa do calor amazônico, filtramos levemente antes de engarrafar, e contamos isso abertamente, porque transparência pela metade não é transparência.

Garrafa do Vinho de Açaí TUQANO, vinho de fruta da Amazônia sem sulfitos adicionados
O Vinho de Açaí da TUQANO, feito em pequena escala em Alter do Chão.

Contamos quase tudo. O nome do vinhedo de Meissen fica guardado na nossa adega. Todo bom vinho precisa de pelo menos um segredo.

O mundo pode beber menos. Mas, quando bebe, quer uma garrafa que valha a conversa.

Prove o Vinho de Açaí da TUQANO

Aprecie com moderação. Venda proibida para menores de 18 anos.

Perguntas frequentes

Por que o vinho natural está em alta?

Porque as pessoas bebem menos, mas querem beber melhor. O vinho natural oferece origem clara, poucos ou nenhum aditivo, rótulo transparente e uma história real por trás. Também atrai os jovens consumidores, que valorizam sustentabilidade e desconfiam de produtos industriais sem rosto.

O consumo de vinho está caindo no mundo?

Sim. Segundo a OIV, o consumo mundial de vinho em 2024 ficou em cerca de 214 milhões de hectolitros, o menor nível desde 1961. No Brasil, o consumo caiu 10,1% em 2024, depois de uma alta em 2023. Ao mesmo tempo, o valor por garrafa segue subindo.

Quem consome vinho natural?

Principalmente millennials e consumidores da geração Z, que procuram transparência, origem e sustentabilidade. Um estudo da Universidade de Turim com 32.800 consumidores em sete mercados mostrou que os millennials seguem sendo o centro do consumo de vinho e que os jovens se interessam cada vez mais pelo que está no rótulo.

O vinho biodinâmico também está crescendo?

Sim. O vinho biodinâmico ganha espaço pelo mesmo motivo: sustentabilidade. Uma revisão científica de 2019 com 84 estudos mostrou aumento claro da biodiversidade em 17 de 24 pesquisas em vinhedos orgânicos e biodinâmicos, embora sem diferença geral na qualidade da uva.

Vinho natural é só moda?

Não parece. O vinho natural se firmou ao longo de mais de uma década, ganhou livros, feiras e cartas inteiras em restaurantes. Ele responde a perguntas que vieram para ficar: o que tem no copo, de onde veio e quem fez. Nem todo vinho natural é bom, mas o movimento mudou a forma como se bebe vinho.

Os vinhos da TUQANO são naturais?

Os vinhos da TUQANO ficam muito perto do natural: leveduras selvagens de Meissen, fermentação em ânforas de terracota, sem sulfitos adicionados e sem conservantes. A única concessão é uma filtração leve antes do engarrafamento, necessária no calor de Alter do Chão, no Pará.

Lars Nehrig
Lars Nehrig
Lars Nehrig é mestre de adega e fundador da TUQANO Vinícola, a primeira vinícola de Alter do Chão, Pará. Formado em biotecnologia com especialização em química de alimentos, aplica método científico à vinificação artesanal de frutas nativas da Amazônia, fermentadas com leveduras históricas da Saxônia. Conheça nossa história →

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