
Alter do Chão: o guia de quem mora aqui (praias, Sairé e onde provar vinho)
O que fazer em Alter do Chão: Ilha do Amor, Ponta do Cururu, Serra da Piraoca, Flona, Sairé e onde provar vinho. Dicas de quem mora na vila.

Em Alter do Chão, o essencial é a Ilha do Amor (agosto a dezembro, com o rio baixo), o pôr do sol na Ponta do Cururu, a Serra da Piraoca, o Canal do Jari e a Flona do Tapajós. E dá para provar vinho de açaí feito na vila.
Todo mundo chega aqui por causa de uma foto. Água transparente, areia branca, o tal Caribe amazônico.
Ninguém avisa que, durante boa parte do ano, metade daquela praia está debaixo d’água.
Eu moro em Alter do Chão. A vila tem cerca de 6 mil moradores, foi fundada em 1626 e fica a 37 km de Santarém, no oeste do Pará, na margem do Rio Tapajós. Já vi muito turista chegar na época errada, subir a serra ao meio-dia e ir embora sem ver um boto. Este guia existe para que isso não aconteça com você.
Quando ir a Alter do Chão
A pergunta mais importante vem antes da mala. Aqui, quem manda no calendário é o rio.
| Período | O rio | O que esperar |
|---|---|---|
| Agosto a dezembro | Baixo | Praias enormes, Ilha do Amor à mostra, a época mais procurada |
| Primeiro semestre | Cheio | Praias encobertas, passeios de barco pela floresta alagada |
| Terceira semana de setembro | Baixando | Festa do Sairé, vila lotada |
Quem quer praia vem no segundo semestre. Quem quer floresta, silêncio e preço melhor pode vir com o rio cheio. As duas versões de Alter valem a viagem. Só não são a mesma viagem.
Como chegar
O caminho mais comum é voar até Santarém e seguir por estrada até a vila, cerca de 37 km, de carro, táxi ou ônibus. Santarém fica a uns 800 km tanto de Belém quanto de Manaus, então a cidade costuma entrar no roteiro com conexão por uma das duas capitais.
Ilha do Amor: a praia que aparece e desaparece
A Ilha do Amor é um banco de areia bem em frente à vila, que surge quando o rio baixa. Em 2009, o jornal britânico The Guardian colocou Alter do Chão entre as praias mais bonitas do Brasil e destacou a vila como dona da praia de água doce mais bonita do planeta. Correio Braziliense
A travessia é curta, feita nas catraias, os barquinhos que ficam na orla. Com o rio bem baixo, tem gente que atravessa a pé. Leve chapéu: na areia branca, o sol do Tapajós não perdoa.
Ponta do Cururu: o pôr do sol com botos
Se você só tiver uma tarde livre, gaste aqui. O fim de tarde na Ponta do Cururu é dos mais bonitos da Amazônia, e na época de rio baixo é comum ver botos-cor-de-rosa saltando perto da margem. Melhores Destinos
Os barcos saem da vila no meio da tarde. Na volta, já de noite, o céu sem poluição luminosa faz o resto do espetáculo.
Serra da Piraoca: a vista que explica tudo
A trilha é curta, coisa de dois quilômetros. Lá de cima dá para ver o Lago Verde, a vila, os igarapés e a floresta até onde a vista alcança. Melhores Destinos
Conselho de vizinho: suba cedo. A Piraoca ao meio-dia é um teste de resistência que ninguém precisa passar nas férias.
Lago Verde e Canal do Jari
O Lago Verde fica colado na vila e é o ponto de partida para passeios de canoa ou caiaque. Mais adiante, o Canal do Jari mostra outra Amazônia: preguiças nas árvores, jacarés, aves por toda parte e vitórias-régias cobrindo a água. Turismo de Natureza
Floresta Nacional do Tapajós e a sumaúma gigante
A Flona do Tapajós é uma unidade de conservação onde vivem comunidades tradicionais, como a de Jamaraquá, que recebem visitantes e conduzem as trilhas. O ponto alto é a sumaúma gigante, uma árvore que faz qualquer pessoa se sentir pequena. É um passeio de dia inteiro e vale cada minuto.
Sairé: a festa mais antiga da vila
O Sairé tem cerca de 300 anos e é uma das manifestações culturais e religiosas mais antigas da Amazônia. Quem sustenta a festa é o povo Borari, os moradores originários de Alter do Chão. A parte mais famosa é a disputa entre os botos Cor-de-Rosa e Tucuxi, no Lago dos Botos. Em 2025, o Corpo de Bombeiros contou quase 50 mil pessoas no lago durante os cinco dias oficiais. O Liberal
Em 2026, a festa foi de 17 a 21 de setembro, e a ideia é que caia sempre na terceira semana do mês. Prefeitura de Santarém
No Sairé circula também o tarubá, a bebida de mandioca fermentada dos povos da região. Contamos a história dela no texto sobre o cauim, uma das bebidas mais antigas do Brasil. Se alguém da comunidade oferecer uma cuia, aceite.
Onde provar vinho em Alter do Chão
Agora a parte em que eu sou suspeito para falar.
A TUQANO é uma vinícola aqui da vila. Fazemos vinhos de frutas da floresta: o Vinho de Açaí, um tinto seco com 12% vol., o Vinho de Cupuaçu, o nosso branco, e o Vinho de Manga. Fermentamos em ânforas de terracota italianas, com leveduras selvagens que eu trouxe de Meissen, na Alemanha, e sem nenhum conservante. A história está em nossa adega.
Meissen ficou famosa no mundo pela porcelana. Alter do Chão, pela areia. As duas cidades vivem à beira de um grande rio, uma no Elba, a outra no Tapajós, e eu tive a sorte de trabalhar com vinho nas duas.
Quer provar? Combine uma degustação com a gente pelo WhatsApp, no +55 94 9129-2925. Também dá para comprar na nossa loja online e retirar aqui mesmo em Alter do Chão. Um Vinho de Cupuaçu gelado depois da Piraoca não é obrigatório. Mas deveria ser.
- Vinho de Açaí: tinto seco, frutas escuras, notas terrosas
- Vinho de Cupuaçu: branco, perfumado, 12% vol., para servir bem gelado
- Vinho de Manga: fruta madura, sem exagero no doce, 11% vol.
Aprecie com moderação. Venda proibida para menores de 18 anos.
Perguntas frequentes
O que fazer em Alter do Chão?
Os passeios essenciais são a Ilha do Amor, o pôr do sol com botos na Ponta do Cururu, a trilha da Serra da Piraoca, o Lago Verde, o Canal do Jari e a Floresta Nacional do Tapajós, com a sumaúma gigante. Em setembro acontece o Sairé. E na vila dá para provar vinhos de frutas amazônicas na vinícola TUQANO.
Qual a melhor época para ir a Alter do Chão?
Para praia, de agosto a dezembro, quando o Rio Tapajós baixa e a Ilha do Amor aparece. No primeiro semestre, com o rio cheio, as praias ficam encobertas, mas os passeios de barco pela floresta alagada compensam. A terceira semana de setembro é a do Sairé, com a vila lotada.
Quando é o Sairé?
O Sairé acontece em Alter do Chão na terceira semana de setembro. Em 2026, a festa foi de 17 a 21 de setembro. É uma das manifestações culturais e religiosas mais antigas da Amazônia, com cerca de 300 anos, e tem como ponto alto a disputa entre os botos Cor-de-Rosa e Tucuxi.
Como chegar a Alter do Chão?
O caminho mais comum é voar até Santarém, no oeste do Pará, e seguir por estrada até a vila, cerca de 37 km, de carro, táxi ou ônibus. Santarém fica a cerca de 800 km de Belém e de Manaus, que servem de conexão para muitos voos.
Alter do Chão tem praia o ano todo?
Não da mesma forma. As grandes praias de areia, como a Ilha do Amor, aparecem com o rio baixo, de agosto a dezembro. No primeiro semestre, com o Tapajós cheio, muitas praias ficam encobertas e o turismo se volta para passeios de barco, lagos e floresta.
Onde provar vinho em Alter do Chão?
Na vinícola TUQANO, que fica na própria vila e produz vinhos de frutas amazônicas: Vinho de Açaí, Vinho de Cupuaçu e Vinho de Manga, fermentados em ânforas de terracota com leveduras selvagens de Meissen, mantidas há 90 anos e sem conservantes. A degustação pode ser combinada pelo WhatsApp, no +55 94 9129-2925.